Artículo especial
Vol. 5 Núm. 2
48 min
Resúmenes seleccionados de trabajos libres presentados en el 1° Congreso Mundial de Urgencias y Emergencias Pediátricas, São Paulo 2026
Selected abstracts of free papers presented at the 1st World Congress on Pediatric Emergencies, São Paulo 2026
Correspondencia:
Recepción:
06/06/2026
Aceptación:
06/06/2026
Publicación:
26/06/2026
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AVALIAÇÃO DA RETENÇÃO DE CONHECIMENTO EM SUPORTE BÁSICO DE VIDA PEDIÁTRICO POR PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO TREINADOS POR ACADÊMICOS NA ÁREA DA SAÚDE. Antonio Gil Azevedo1, Ana Luisa Tarrio Ferraz de Almeida1, Fernanda Pantaleao Souza1, Cristiano Martins Beserra1, Geovani Ozório Fernandes1, José Eduardo Corrente2, Haroldo Teófilo de Carvalho3, Joelma Gonçalves Martin3. 1Faculdade de medicina de Botucatu-UNESP, Botucatu, Brasil. 2Escritório de Apoio a Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, Botucatu, Brasil. 3Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, Botucatu, Brasil.
Introdução: A Parada Cardiorrespiratória (PCR) em crianças é frequentemente decorrente de engasgos, afogamentos e acidentes. Nesse contexto, o tempo-resposta é crucial para uma maior chance de sobrevivência e, por isso, as intervenções de pessoas treinadas em Suporte Básico de Vida (SBV) em situações de emergência são associadas a melhores desfechos de PCRs fora do hospital. Assim, é fundamental o treinamento de leigos em SBV e primeiros socorros, especialmente os que lidam com a população pediátrica, como professores e funcionários de escolas.
Objetivos: Avaliar a retenção de conhecimento sobre SBV e emergências comuns com crianças em ambiente escolar, após treinamento teórico de profissionais da educação, ministrado por acadêmicos da área da saúde, seguidas de prática simulada em bonecos.
Metodologia: Avaliação da retenção do conhecimento através de questionários online (em modelo de prova) respondidos por profissionais de educação (professores, administrativos, etc), que receberam treinamento entre 3 e 7 meses antes da realização da prova em 2025. Logo antes da prova receberam um vídeo para relembrar as técnicas de SBV e desengasgo pediátrico. Analisou-se fatores como grau de confiança para atuar em emergências; quais condutas mais adequadas para certo tipo de acidente; avaliação das manobras corretas de SBV; entre outras.
Resultados: Obteve-se 224 respostas da prova. A idade variou entre 21 e 74 anos. Após treinamento, o desempenho médio na prova foi de 28/32 acertos e 63,4% dos profissionais deram nota 7/10 ou mais para sua confiança em oferecer primeiros socorros a uma criança. 95,75% respondeu corretamente quanto a técnica adequada de desengasgo em lactentes e 98,66% em crianças maiores que 1 ano; 97,77% acertou os critérios corretos para leigos iniciarem compressões torácicas. 75,45% acertou o que fazer quando uma criança é eletrocutada e 71,43% acertou a melhor conduta para fratura exposta.
Conclusão: Evidencia-se alta retenção técnica e confiança dos profissionais para agir em emergências após o treinamento. A eficácia das intervenções valida a capacitação de leigos na escola como ferramenta crucial para a sobrevida em PCRs pediátricas e acidentes na infância, validando a metodologia de treinamentos conduzidos por acadêmicos previamente treinados. Assim, o ensino do SBV para este público é indispensável para prevenção, reprodutível e de fácil execução. Se aplicado em larga escala, pode modificar a sobrevida e a qualidade de vida das crianças socorridas inicialmente por leigos treinados constantemente.
DESEMPEÑO DE LA INTELIGENCIA ARTIFICIAL FRENTE A EMERGENTÓLOGOS EN EL DIAGNÓSTICO DE NEUMONÍA RADIOLÓGICA EN URGENCIAS PEDIÁTRICAS. Jorge Ortiz1, Ricardo Iramain2, Alfredo Jara3, Pedro Benitez1, Laura Cardozo2, Rocío Morínigo3, Ana Sánchez1, Marcia Schreiner2. 1Departamento de Emergentología Pediátrica, Asunción, Paraguay. 2Facultad de Ciencias Médicas, Asunción, Paraguay. 3Universidad Nacional de Asunción, Asunción, Paraguay.
Introducción: La inteligencia artificial (IA) ha sido incorporada recientemente en la praxis médica como una herramienta auxiliar para el análisis de imágenes; sin embargo, su validación y su precisión diagnóstica no permiten aún la sustitución de la evaluación clínica de expertos para la toma de decisiones.
Objetivo: Evaluar la precisión diagnóstica de un sistema de inteligencia artificial (IA) frente a la evaluación clínica de expertos: pediatras emergentólogos e imagenólogo en la identificación de neumonía radiológica.
Metodología: Estudio observacional de concordancia diagnóstica, se evaluaron radiografías de tórax de pacientes entre 1 mes a 17 años atendidos en el servicio de urgencias por diversas patologías. Las imágenes foram anonimizadas antes del análisis. Se estableció una definición operativa de NAC radiológica. Cada imagen fue evaluada de forma independiente y ciega por un imagenólogo pediátrico senior (estándar de referencia), dos emergentólogos pediátricos (individualmente y luego en consenso) y ChatGPT (OpenAI) como herramienta exploratoria de análisis de imágenes mediante un prompt estandarizado. Ninguno de los sujetos tuvo acceso a la información clínica previa. Cada evaluador clasificó las imágenes de forma binaria (compatible o no compatible con NAC). El análisis estadístico incluyó el cálculo de la sensibilidad (S), especificidad (E), exactitud diagnóstica (ED) y el nivel de concordancia mediante el coeficiente Kappa de Cohen (K), con IC 95%
Resultados: Se analizaron 100 radiografías de tórax. La frecuencia de NAC radiológica fue de 30%. En comparación con el estándar de referencia, el emergentólogo 1 presentó una S: 86,7%, E: 68,6% y k: 0,47, (IC95%: 0,3-0,65). El emergentólogo 2 mostró S: 86,7%, E: 80% y K: 0,61, (IC95%: 0,45-0,77). El consenso entre ambos emergentólogos obtuvo una S: 90%, E: 82,9%, ED: 85,0% y K: 0,68, (IC95%: 0,52-0,82). La inteligencia artificial obtuvo una S: 86,7%, E: 81,4%, ED: 83% y K: 0,64, (IC95%: 0,47-0,79).
Conclusión: Si bien la inteligencia artificial constituye una herramienta auxiliar valiosa para el apoyo médico, sus niveles de precisión no permiten la sustitución del consenso clínico de expertos. Estos resultados subrayan la importancia de integrar la tecnología como un complemento, reconociendo sus limitaciones en términos de especificidad diagnóstica.
VALUE OF THE PHOENIX SCORE IN THE PEDIATRIC EMERGENCY DEPARTMENT FOR ASSESSING SEVERITY IN CHILDREN WITH SUSPECTED SEPSIS. Laura Morilla1,2, Maria Elena Chavez1,2, Natalia Lopera1,2, Nadia Caballero1,2, Mirta Mesquita1, Viviana Pavlicich1,2. 1Hospital General Pediátrico Niños de Acosta Ñu, San Lorenzo, Paraguay. 2Universidad Privada del Pacífico, Asunción, Paraguay.
Introduction: Sepsis presents a wide spectrum of clinical manifestations. A positive Phoenix score during the first hours of care could stratify severity and establish prognostic value in Pediatric Emergency Departments (PED).
Objectives: To evaluate the severity and outcomes of patients with suspected sepsis and a positive Phoenix score within the first 4 hours of stay in the PED.
Methodology: Observational, analytical, retrospective, cross-sectional study conducted between March 2024 and March 2025. We included patients aged 28 days to 18 years with suspected sepsis, defined by intention to treat (initiation of fluids and antibiotics). Patients referred from or transferred to another hospital and those without complete data to calculate the score were excluded. Non-probabilistic sampling of consecutive cases was used until 261 patients were included.
Demographic variables, triage level, critical and non-critical risk factors, clinical and paraclinical variables, Phoenix score, therapeutic interventions, and outcomes (PICU admission, mechanical ventilation [MV], hospital length of stay, and mortality) were analyzed. Patients were grouped into Phoenix score ≥2 (G1) and <2 (G2).
Descriptive, bivariate, and logistic regression analyses were performed to evaluate the association between Phoenix ≥2 and outcomes. Sensitivity, specificity, positive predictive value (PPV), negative predictive value (NPV), positive likelihood ratio (LR+), negative likelihood ratio (LR−), and area under the curve (AUC) were calculated for PICU admission and mortality, excluding variables included in the score.
Results: The median age was 47 months (IQR 14–106); 34.9% had a Phoenix score ≥2. G1 showed a higher frequency of severity signs at triage (altered appearance, hypotension, altered mental status, and cutaneous hypoperfusion) and abnormal biomarkers (lactate, INR, D-dimer, CRP, and PCT), with lower albumin and platelet levels (p<0.05).
Regarding outcomes, G1 had higher rates of PICU admission (64.8% vs. 3.5%), prolonged hospitalization (71.4% vs. 38.2%), need for MV (43.9% vs. 0.5%), and mortality (18.6% vs. 2.3%) (p<0.001).
For prediction of PICU admission, Phoenix ≥2 showed sensitivity 93%, specificity 82%, PPV 58%, NPV 98%, LR+ 4.89, LR− 0.09, and AUC 0.918. In multivariate analysis, it was independently associated with PICU admission (OR 3.02; 95% CI 1.91–4.79; p<0.001).
Conclusion: The Phoenix score during the care of children with suspected sepsis in the PED allows identification of those who will require PICU admission, mechanical ventilation, longer hospital stay, and is associated with mortality.
TECNOLOGIA ASSISTIVA COMO FERRAMENTA NO ENSINO DE SUPORTE BÁSICO DE VIDA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA. Bueno, Claudia Dizioli Franco¹; Araujo, Juliana Mattei De¹; Barbosa, Walisson Ferreira¹; Costa, Joenny Regina Da Silva¹; Gomes, Laysa Rodrigues De Lima¹; Moreira, Ester Barros Da Costa¹; Pimentel, Ana Do Socorro Barbosa¹; Ruiz, Julia Alves¹; Santana, Bruna Rutiele Santos De¹; Santos, Aline Dos¹; Varão, Thawanny Gomes¹; Pedroza,Athos Costa¹. ¹Universidade do Estado do Pará – UEPA, Marabá, Brasil.
Introdução: A parada cardiorrespiratória é uma emergência médica cuja sobrevida depende da intervenção precoce, que pode ser feita por leigos treinados, incluindo pessoas com deficiência auditiva. Esses indivíduos enfrentam barreiras na comunicação e no acesso a capacitações. Nesse contexto, Tecnologias Assistivas, como vídeos educativos, podem facilitar o aprendizado do Suporte Básico de Vida (SBV) adulto e pediátrico.
Perguntas de pesquisa/hipótese: O uso de vídeo educativo com interpretação em Libras é mais eficaz que a aula expositiva com intérprete no ensino de SBV e do manejo da obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) para pessoas com deficiência auditiva? Foram consideradas três hipóteses: 1.o vídeo educativo em Libras tem eficácia semelhante à aula expositiva com intérprete; 2. o vídeo educativo em Libras é mais eficaz; 3. o vídeo educativo em Libras é menos eficaz.
Métodos: Estudo transversal, controlado e randomizado, realizado com pessoas surdas, maiores de 12 anos, vinculados ao Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Marabá/PA. Os participantes foram divididos em dois grupos: controle (aula expositiva em Libras) e intervenção (vídeo simulado em Libras), ambos com conteúdo sobre SBV e OVACE. Aplicaram-se pré e pós-testes com vídeos em Libras e questões de múltipla escolha. Após o curso, houve prática com manequins adulto e pediátrico. Todas as etapas contaram com a presença de intérpretes qualificados.
Resultados: A amostra foi composta por 17 participantes divididos randomicamente em dois grupos: controle (n=8) e intervenção (n=9). A média de acertos aumentou de 2,79 (DP=1,15) no pré-teste para 3,68 (DP=2,05) no pós-teste. O grupo intervenção obteve média de 3,78 (IC 95%: 1,04–6,51) e o controle, 3,50 (IC 95%: 1,07–8,00), sem diferença estatística significativa (p=0,49). Quatorze participantes (70%) melhoraram no pós-teste; seis (30%) tiveram piora. O grupo intervenção teve resultados uniformes e menos dispersão, sugerindo bom impacto do vídeo. O efeito foi moderado no grupo intervenção (Cohen’s d=0,64) e pequeno no controle (Cohen’s d=0,20), indicando melhora no desempenho.
Conclusão: A análise dos dados indica que a tecnologia assistiva é uma estratégia viável e com potencial na capacitação de pessoas com deficiência auditiva em SBV adulto e pediátrico e OVACE. Os indicadores de desempenho apontam um impacto ótimo no aprendizado, mostrando o valor da ferramenta como recurso inclusivo na educação em saúde.
UTILIDAD DEL CÓDIGO SEPSIS PARA IDENTIFICAR NIÑOS CON SEPSIS EN UN DEPARTAMENTO DE URGENCIAS PEDIÁTRICAS. Ricardo Iramain1, Rocío Morinigo2, Jorge Ortiz1, Alfredo Jara2, Laura Cardozo1. 1Facultad de Ciencias Médicas, Asunción, Paraguay. 2Universidad Nacional de Asunción, Asunción, Paraguay.
Introducción: El reconocimiento temprano de la sepsis es clave y plantea desafíos por la falta de consenso en los protocolos de identificación. El código sepsis es una herramienta sencilla, práctica y útil, pero requiere su adaptación en cada contexto.
Objetivo: Determinar la utilidad del código sepsis para la identificación temprana de niños con sepsis.
Metodología: Estudio observacional prospectivo, muestreo por conveniencia de niños de 1 mes a 17 anos con historia de fiebre de al menos 12 horas en la atención de urgencias entre enero 2023 a junio de 2025. Se evaluaron datos demográficos (edad, sexo) y clínicos (criterios de activación: fiebre o historia de fiebre más 1 criterio alterado: comorbilidades, TEP/Triângulo de Evaluación Pediátrica, FC, FR, AVDI, Llenado capilar >2seg, oliguria, criterio enfermería/médico, percepción de los padres). Se utilizaron frecuencias, porcentajes, mediana y RIC, regresión logística binaria hacia atrás: LR, y estadísticos de método diagnóstico (p:<0,005) para el análisis de los grupos y su relación con el diagnóstico de sepsis (criterios de Goldstein). El estudio fue aprobado por el comité de ética.
Resultados: Fueron incluidos 260 pacientes con fiebre o historia de fiebre, de ellos 75% activó la herramienta. La mediana de edad fue 3 anos, RIC: 10 meses – 6 anos; 52% de sexo masculino, el 22% con comorbilidad. El 55% de los pacientes presentó sepsis. La sensibilidad para detectar sepsis fue 87,4%, especificidad 40,2%, VPP: 64,1%, VPN: 72,3%. LR+: 1,46, LR-: 0,31. La tasa de sobretriage fue de 36% y subtriage de 12,6%. En menores de 5 anos se obtuvo una discreta diferencia de la sensibilidad 89,9% vs 83,3% en mayores, con mejoría en los valores de subtriage 10,1% vs 16,7%. En el modelo de regresión logística, la alteración de la FC (OR: 2,7 IC: 1,4-5,21), alteración de un lado del TEP (OR: 1,97 IC: 1,02- 3,83) y el criterio médico/enfermería (OR: 4,53, IC: 1,2-17,1) permanecieron como predictores independientes de sepsis.
Conclusión: El código sepsis constituye una herramienta de alta precisión diagnóstica y utilidad clínica, en especial en menores de 5 anos, para la identificación temprana de sepsis en las urgencias pediátricas. A pesar de que el estudio fue realizado en un solo centro, la adopción sistemática de esta herramienta impactaría significativamente con la reducción de la morbimortalidade de esta entidad.
PERCEPÇÕES DE PAIS E FILHOS SOBRE A INTERNAÇÃO EM UM PRONTO SOCORRO PEDIÁTRICO DE UM HOSPITAL – ESCOLA. Maria Clara Carvalho Maranho Benicá1, Bianca Fernandes de Oliveira1, Lorena Marins Alvarenga1, Daniel de Salvi Verônico1, Catarina Shin1, Carolina Proença Costa1, Douglas Luciano Moura Filho1, Maria Eduarda Menezes de Almeida1, Joelma Gonçalves Martin1. 1Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, Botucatu, Brasil.
Introdução: Em serviços de urgência e emergência pediátrica, a humanização do cuidado pode ser desafiadora, sobretudo em razão da vulnerabilidade infantil, marcada por medo, ansiedade e sofrimento, associados à separação familiar e ao ambiente hospitalar. A perspectiva dos responsáveis influencia a experiência da criança durante o atendimento, podendo interferir na forma como o cuidado é percebido. Observam-se diferenças entre essas percepções, ainda pouco exploradas na literatura, especialmente no que se refere a comparações diretas entre crianças e seus cuidadores.
Objetivo: Descrever a experiencia de crianças e seus responsáveis no serviço de emergência pediátrica.
Método: Estudo quantitativo, transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, realizado na emergência pediátrica de um hospital-escola. Foram aplicados um questionário identificador e um temático, conforme instrumento de Parra et al. (2017), em crianças maiores de cinco anos e seus responsáveis, com posterior análise comparativa dos dados obtidos.
Resultados: Participaram 49 pares de pais e filhos; a média de idade das crianças foi 9,4 anos. O tempo médio de espera relatado pelos pais foi de 26,7 minutos, e 42,9% das crianças o consideraram menor que o esperado. A maioria das crianças afirmou ter acesso a recursos essenciais (91,8%), porém crianças e cuidadores referiram ausência de entretenimento (36,7% e 87,5%, respectivamente). Grande parte dos pais recebeu orientações sobre diagnóstico (95,9%), tratamento (93,9%) e evolução (85,7%); entre as crianças, 53,1% compreenderam as explicações, 24,5% não as compreenderam ou não foram abordadas e 14,3% receberam informações apenas dos pais. Todas as crianças foram submetidas a procedimentos dolorosos, principalmente coleta de sangue (79,6%), e 80,8% referiram dor. Contudo, 100% delas relataram que os profissionais fizeram o possível para ajudá-las. O ambiente foi considerado limpo por 83,6% e com privacidade adequada por 71,4% das crianças.
Conclusão: A assistência foi avaliada positivamente quanto à equipe e ao ambiente. Entretanto, persistem divergências na vivência do tempo de espera e fragilidades na comunicação direta com o público infantil. Esses achados, semelhantes aos de Parra et al. (2017), reforçam a necessidade de fortalecer práticas humanizadas no atendimento em emergência pediátrica, com especial atenção à escuta, ao acolhimento e à participação ativa da criança no processo de cuidado.
AMPLIANDO O ACESSO AO SUPORTE BÁSICO DE VIDA: RETENÇÃO DO CONHECIMENTO ENTRE PAIS E CUIDADORES DE LACTENTES TREINADOS POR ACADÊMICOS E MÉDICOS. BUENO. Claudia Dizioli Franco¹; Castro Franco,Isabelle C; Rocha, Nathalia Sena¹; Costa, Elton Arruda¹; Moreira, Ester Barros Da Costa¹; Ruiz, Julia Alves¹; Ferreira Junior, Marcelo Dias ; Rodrigues, Luis Arthur Brito¹; Silva, Meyson Santos¹; Araujo, Juliana Mattei; Barbosa, Walisson Ferreira¹; Varão, Thawanny Gomes¹. ¹Universidade do Estado do Pará – UEPA, Marabá, Brasil.
Introducao: A parada cardiorrespiratória (PCR) pediátrica e a obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) estão associadas a elevada morbimortalidade em lactentes. A capacitação de leigos em suporte básico de vida (SBV) e manejo do desengasgo é fator essencial para sucesso das manobras e aumento da sobrevida. Entretanto, o acesso a treinamentos na região Norte do Brasil ainda é limitado, tornando necessária a adoção de estratégias educacionais que ampliem o alcance dessas capacitações. Ressuscitação.
Objetivos: Capacitar pais e cuidadores na realização de manobras de RCP e desobstrução de vias aéreas; Avaliar a retenção imediata e tardia (após 12 meses) do conhecimento em SBV e desobstrução de vias aéreas entre pais e cuidadores de lactentes treinados por médicos versus acadêmicos de medicina e verificar a efetividade dos acadêmicos como instrutores.
Metódos: Estudo longitudinal e prospectivo, realizado no Laboratório de Suporte Básico de Vida de um curso de Medicina no interior do Pará. Participaram 59 pais e cuidadores de lactentes, de serviços de saúde públicos e privados. Divididos em dois grupos: Grupo 1 (G1), treinado por médicos (n=29), e Grupo 2 (G2), treinado por acadêmicos de medicina (n=30) previamente capacitados. O treinamento seguiu protocolo padronizado, teórico-prático, sendo aplicados pré-teste, pós-teste imediato e pós-teste tardio após 12 meses. Análise estatística com teste t de Student, teste exato de Fisher e modelos mistos para medidas repetidas.
Resultados: A idade média dos participantes foi de 29,5±1,5 anos no G1 e 30,1±1,3 anos no G2, sem diferenças sociodemográficas significativas entre os grupos. No pós-teste imediato, ambos os grupos apresentaram melhora significativa do desempenho (G1: +7,45 pontos; G2: +7,29 pontos; p<0,001). Após 12 meses, observou-se redução parcial dos escores em ambos os grupos, sem diferença estatisticamente significativa ,com retenção de aproximadamente 76% um valor superior ao encontrado em outros estudos com leigos.
Conclusao: Acadêmicos de medicina, adequadamente capacitados, podem atuar como instrutores eficazes no ensino de SBV para pais e cuidadores, alcançando resultados comparáveis aos médicos. O estudo mostrou a viabilidade de cursos custo-efetivos, adaptados ao contexto sociocultural e logístico da regiao , com elevada aplicabilidade e inserção social, além de contribuir para a formação dos estudantes como multiplicadores de práticas essenciais em situações de emergência pediatrica.
CONSTRUÇÃO DAS Entrustable Professional Activities (EPA) DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA PARA A FORMAÇÃO EM PEDIATRIA NA GRADUAÇÃO EM MEDICINA. Rosana Alves1, Faesa1, Alessandra Carla de Almeida Ribeiro1, Rosana Fiorini Puccini2, Angélica Maria Bicudo3, Silvia Wanick Sarinho4, Ana Lucia Ferreira5. 1UFU, Uberlândia, Brasil. 2UNIFESP, São Paulo, Brasil. 3UNICAMP, Campinas, Brasil. 4UFPE, Recife, Brasil. 5UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil.
Introdução: Entrustable Professional Activity (EPA) é uma unidade de prática profissional, uma tarefa, que deverá ser confiada a um estudante, interno ou residente. Pode ser mensurável e, geralmente, exige múltiplas competências para sua execução, integrando vários conhecimentos, habilidades e atitudes.
Objetivo: Validação das EPA em Urgência e Emergência (U/E) para a formação em Pediatria no Curso de Graduação em Medicina.
Método: Estudo analítico, transversal, com abordagem quantitativa e qualitativa, com duas etapas, (I) Método de Delphi com experts em Educação Médica e (II) Técnica de Grupo Nominal (TGN), com especialistas em pediatria. Uma proposta prévia de 10 EPAs foi organizada por um comitê, em que cada EPA continha seis itens: 1) Cenário de prática; 2) Contexto; 3) Especificações das atividades observáveis; 4) Domínios de competência; 5) Pré-requisitos (conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias) e; 6) Avaliação do nível de supervisão no internato de pediatria. Etapas: (I) A validação de face com a participação de pesquisadores experts em educação médica para a análise conceitual e semântica - convergência plausível das opiniões, método Delphi; (II) Oficina virtual com pediatras dos 27 estados brasileiros para aplicação da TGN, como estratégia para a produção de consensos sobre as EPA em U/E. CAAE/CEP n°: 79902624.1.0000.5059.
Resultados: As EPA foram organizadas com três critérios: faixa etária, cenário de prática e grau de complexidade e foram encaminhadas aos dez docentes experts: PROMOVENDO O CUIDADO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÕES DE URGÊNCIA e PROMOVENDO O CUIDADO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA. Após duas rodadas com 10 experts, o grau de concordância no Delphi foi de 82%. As sugestões acatadas foram: organização do item “Especificações das atividades observáveis” em tópicos; algumas poucas inclusões. Para o grau de autonomia/nível de supervisão, a concordância foi de 79%. A TGN contou com 42 pediatras com título de especialista que, em consenso item a item, validaram as EPAs.
Conclusão: A estruturação das EPAs, assim como seu conteúdo, alcançou ótimo grau de concordância. Um item em especial, o nível de supervisão ou de autonomia do estudante (concordância de 79%), gerou muita discussão, tanto no método Delphi, como no TGN. O cerne da discussão envolveu aumentar a autonomia do interno, visto que em pouco tempo ele será um egresso atuando SEM supervisão. Diferente dos países europeus e da América do Norte, o recém-formado, médico de formação geral, realiza atendimentos de forma autônoma, principalmente em Unidades Básicas de Saúde e Pronto-Atendimentos, locais de alta demanda de atendimento de crianças e adolescentes.
HORA DE OURO NA ASSISTÊNCIA AOS PACIENTES ONCOLÓGICOS PEDIÁTRICOS COM NEUTROPENIA FEBRIL. Rayane Maria Martins1, Manuella Pacifico De Freitas Segredo1, Joelma Gonçalves Martin1, Mariana Costa Zoqui1, Rudá Veiga Gelli1, Camila Manzini Pengo1, Débora Garcia Gasperini1. 1Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”- UNESP, Botucatu, Brasil. Agradecimentos: Financiamento Bolsa FAPESP 2024/14510-5.
Introdução: A Neutropenia Febril (NF) representa a principal emergência oncológica na pediatria, associando-se a elevado risco de sepse, aumento do tempo de internação e mortalidade. Diretrizes nacionais e internacionais recomendam o início da antibioticoterapia empírica preferencialmente na primeira hora após o reconhecimento da febre, conceito conhecido como “Hora Dourada”.
Objetivos: Avaliar o perfil clínico e epidemiológico dos eventos febris em pacientes oncológicos pediátricos, bem como os tempos assistenciais relacionados à administração da antibioticoterapia nesses eventos.
Metodologia: Estudo observacional, prospectivo e analítico, realizado em hospital universitário terciário, no período de maio de 2024 a dezembro de 2025. Foram analisados eventos febris em pacientes oncológicos pediátricos menores de 18 anos, incluido episódios de neutropenia febril e hipertermia isolada sem neutropenia. Avaliaram-se características clínicas e epidemiológicas, intervalos de tempo entre início da febre, triagem, indicação e administração do antibiótico, além de desfechos clínicos durante a internação. Durante o estudo foram realizadas intervenções educacionais focadas na “Hora Dourada” e implementadas medidas para otimização do fluxo assistencial em nível intra-hospitalar. As análises estatísticas foram realizadas por métodos não paramétricos, considerando nível de significância de 5 por cento universitário terciário, no período de maio de 2024 a dezembro de 2025. Foram analisados eventos febris em pacientes oncológicos pediátricos menores de 18 anos, incluido episódios de neutropenia febril e hipertermia isolada sem neutropenia. Avaliaram-se características clínicas e epidemiológicas, intervalos de tempo entre início da febre, triagem, indicação e administração do antibiótico, além de desfechos clínicos durante a internação. Durante o estudo foram realizadas intervenções educacionais focadas na “Hora Dourada” e implementadas medidas para otimização do fluxo assistencial em nível intra-hospitalar. As análises estatísticas foram realizadas por métodos não paramétricos, considerando nível de significância de 5 por cento.
Resultados: Foram avaliados 56 eventos febris, 33 corresponderam a neutropenia febril. Houve atraso superior a 3 horas entre início da febre e chegada ao serviço em 46,4 por cento dos eventos, principalmente por indisponibilidade de transporte. A mediana do tempo entre o início da febre e a triagem foi de 164,5 minutos, evidenciando que o principal atraso assistencial estava em nível pré-hospitalar. A mediana do tempo entre a triagem e a administração do antibiótico foi de 55 minutos, ambas sem diferença estatisticamente significativa entre pacientes com hipertermia isolada e neutropenia febril. A identificação etiológica ocorreu em 21,4 por cento dos eventos. Observou-se baixa positividade microbiológica (9,1 por cento), reduzida necessidade de terapia intensiva (n 1) e ausencia de óbitos no período estudado. Todos os pacientes evoluíram com remissão clínica e alta hospitalar.
Conclusão: Os tempos assistenciais intra-hospitalares mostraram-se adequados na maioria dos casos; entretanto, atrasos pré-hospitalares persistem como ponto crítico. Os achados reforçam a importância de estratégias contínuas de educação familiar, padronização de fluxos assistenciais e monitoramento dos tempos críticos, visando à efetiva aplicação do conceito da Hora Dourada.
AVALIAÇÃO DAS DISFUNÇÕES ORGÂNICAS APÓS MUDANÇA NO PROTOCOLO DE SEPSE PEDIÁTRICO. Marina Telles Peramos, Tatiana Pissolati Sakomura, Paula Krauter Canêo, Ana Paula Rodrigues da Silva, Patricia Vidotti Barato,Natália Ribeiro Grossi, Marcela Caetano Arruda, Mariana Pittarelli de Souza, Stephanie Callegari Zaghini, Maria Clara Marchi Moraes.
Introdução: A sepse pediátrica permanece como importante causa de morbimortalidade e sua definição passou por mudanças significativas. O Phoenix Sepsis Score (2024) passou a incorporar a disfunção orgânica como elemento central da definição de sepse pediátrica, buscando valor prognóstico.
Objetivo: Analisar a prevalência das disfunções orgânicas em pacientes pediátricos com sepse, segundo os critérios do Phoenix e avaliar desfechos clínicos associados.
Método: Estudo observacional retrospectivo e transversal, análise de dados de prontuário entre 28 dias a 14 anos incompletos, diagnosticados com sepse na Emergência Pediátrica de um hospital terciário, entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
Resultados: Preencheram os critérios 49 prontuários. A idade média foi de 6,1 ± 4,4 anos, com predominio do sexo feminino (55,1%), porém sem diferença estatisticamente significativa em relação ao sexo (p = 0,4751). O foco pulmonar foi o mais prevalente (53%). A pontuação em Phoenix variou de 2 a 10, com média de 3,2 pontos. A disfunção de coagulação foi a mais frequente (93,9%), seguida da respiratória (51%), cardiovascular (36,7%) e neurológica (6,1%). Quantoaos desfechos, 63,3% necessitaram de UTI, 38,8% de ventilação mecânica, 40,8% de drogas vasoativas e houve um óbito (2%). A disfunção respiratória esteve significativamente associada à necessidade de UTI (p = 0,003), ventilação mecânica (p < 0,001) e uso de DVA (p = 0,001). A disfunção cardiovascular apresentou associação com os desfechos de gravidade, estando significativamente associada à internação em UTI (p < 0,001), ventilação mecânica (p < 0,001) e uso de DVA (p < 0,00000001). A disfunção de coagulação, apesar de altamente prevalente, não apresentou associação estatisticamente significativa com nenhum dos desfechos avaliados (p > 0,05). A disfunção neurológica também não demonstrou associação significativa, o que pode estar relacionado à sua baixa frequência na amostra. Os pacientes que necessitaram de UTI, ventilação mecânica ou DVA apresentaram pontuações significativamente maiores no escore Phoenix em comparação aos que não apresentaram esses desfechos (UTI: p < 0,001; ventilação mecânica: p < 0,001; drogas vasoativas: p < 0,001). Cada aumento de um ponto no escore esteve associado a um aumento significativo na chance de internação em UTI (OR =8,05; IC 95%: 2,44–54,5), necessidade de ventilação mecânica (OR = 24,0; IC 95%: 5,26–436) e uso de DVA (OR = 5,96; IC 95%: 2,58–20,1). Embora os intervalos de confiança sejam amplos, refletindo o tamanho amostral limitado, a direção e a magnitude das associações permaneceram consistentes e estatisticamente significativas.
Conclusão: A disfunção cardiovascular foi a que apresentou maior correlação com a gravidade, apesar de, comparativamente, a disfunção da coagulação ser a mais prevalente, esta não parece ser isoladamente um bom preditor de gravidade, pois alguns marcadores podem estar elevados em diversos cenários clínicos, sendo essencial avaliar este sistema de forma integrada. O Score de Phoenix mostrou-se uma ferramenta robusta de estratificação prognóstica, devendo ser utilizado de forma complementar ao julgamento clínico e à vigilância contínua
IMPACTO DE EVENTOS SANITÁRIOS E AMBIENTAIS NAS ADMISSÕES POR BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA EM UMA EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA DE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Patrícia Lago, João Carlos Santana, Elisa Hypolito, Gabriela Biondo, Bianca Zandona, Janine Lanzanova, Daniele Dalmora, Maira Machado.
Introdução: A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma enfermidade cujo diagnóstico é basicamente clínico e constitui uma das principais causas de atendimento em emergências pediátricas, apresentando comportamento sazonal definido. Todavia, eventos excepcionais, como pandemias e desastres climáticos, podem modificar significativamente o padrão esperado de admissões.
Objetivo: Analisar a evolução temporal das admissões por BVA em uma unidade de emergência pediátrica de hospital universitário no sul do Brasil, com ênfase no impacto da pandemia de Covid-19 em 2020 e na inundação ocorrida em maio de 2024.
Métodos: Estudo observacional, descritivo e retrospectivo, baseado nas análises mensais das admissões por BVA em emergência pediátrica entre 2018 e 2025. Os dados foram organizados em série temporal e analisados de forma descritiva, considerando os eventos externos relevantes. Para comparação de médias foi usado o Teste T de Student e o NS: p < 0,05.
Resultados: No período do estudo foram hospitalizas 2245 crianças com BVA. No período pré-pandemia (2018-2019), observou-se padrão sazonal estável, com aumento das admissões nos meses de outono e inverno. Em 2020, ocorreu redução abrupta e sustentada das admissões ao longo de todo o ano, com uma queda superior a 80% em relação aos anos anteriores e rompendo completamente o padrão sazonal previamente observado (p<0,05). A partir de 2022, verificou-se retomada progressiva da demanda, com quantidade de internações por BVA que igualaram ou superaram os níveis pré-pandêmicos. Destacam-se os anos de 2023 e 2024, nos quais os meses de maio a agosto apresentaram valores elevados e alcançaram picos (p< 0,05). Destaca-se o mês de maio de 2024, quando ocorreu a inundação no Estado e teve o maior número mensal de admissões por BVA em toda a série histórica, superando inclusive os picos registrados no período pré-pandemico. Em 2025, ocorreu a manutenção do elevado número de internações por BVA, especialmente nos meses de outono e inverno.
Conclusão: As admissões por BVA sofreram influência marcante de eventos externos ao longo do período analisado. A pandemia de Covid-19 resultou em queda abrupta da demanda em 2020, provavelmente resultante do afastamento social. A partir de 2021, a elevação destas admissões hospitalares sugere intensificação da circulação viral em cenário pós-pandemico. A inundação de maio de 2024 configurou novo fator de impacto, com significativa elevação das internações em emergência devido às BVA (200%), reforçando a importância da contextualização sanitária e ambiental na interpretação de indicadores assistenciais.
SEDAÇÃO PROCESSUAL NA EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA: SEGURANÇA, EFETIVIDADE E RACIONALIZAÇÃO DE RECURSOS. Flávio Valcácer Ferreira Júnior1 Clarissa Cavalcanti Souza1, Thizah Maciel Costa1, Natália Santana Pires Barbosa1, Jorge Marcelo da C. O. Mott1. 1Hospital Jorge Valente, Salvador, Brasil.
Introdução: A sedação processual pediátrica viabiliza a realização segura de procedimentos diagnósticos e terapêuticos em pacientes com baixa colaboração relacionada à idade, ansiedade ou dor. Sua aplicação fora do centro cirúrgico reduz a necessidade de anestesia geral, unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIP) e apoio anestésico, otimizando recursos institucionais e melhorando a experiência do paciente e da família. A adoção de protocolos padronizados, equipe treinada e monitorização adequada é essencial para garantir segurança e reduzir complicações.
Objetivo: A sedação processual pediátrica viabiliza a realização segura de procedimentos diagnósticos e terapêuticos em pacientes com baixa colaboração relacionada à idade, ansiedade ou dor. Sua aplicação fora do centro cirúrgico reduz a necessidade de anestesia geral, unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIP) e apoio anestésico, otimizando recursos institucionais e melhorando a experiência do paciente e da família. A adoção de protocolos padronizados, equipe treinada e monitorização adequada é essencial para garantir segurança e reduzir complicações.
Objetivo: Avaliar a segurança, efetividade e impacto assistencial da implantação de um protocolo institucional de sedação processual na emergência pediátrica.
Metodologia: Foi elaborado e implementado protocolo institucional de sedação processual. As indicações incluíram inserção de PICC, mielograma, punção liquórica, suturas, tomografia computadorizada, EEG, ECG e passagem de sonda nasoenteral. Os dados assistenciais foram compilados por ferramenta própria para análise.
Resultados e Discussão: Foram incluídos 23 pacientes, totalizando 30 sedações, com idades entre 1 e 15 anos (média de 5,41 anos). Do total, 53,3% das sedações ocorreram em unidade de internação e 46,7% na emergência. As medicações mais utilizadas foram cetamina (66,7%), midazolam (40,0%), Propofol (26,7%) e dexmedetomidina (20,0%), isoladas ou associadas. As principais indicações foram PICC (26,7%), EEG (20,0%), mielograma (16,7%), punção liquórica (16,7%) e tomografía computadorizada (13,3%). A taxa de êxitofoi de 93,3%. Intercorrências ocorreram em 6,7% das sedações, incluindo um episódio de dessaturação e um caso de laringoespasmo em paciente oncológica de difícil sedação, configurando a única falha relacionada à sedação. O procedimento foi posteriormente realizado com sucesso sob nova estratégia sedativa. Houve uma falha não relacionada à sedação por impossibilidade técnica de progressão de cateter de PICC. Não foram observados episódios de vômitos ou agitação relevantes. Nenhum paciente necessitou encaminhamento para UTIP, centro cirúrgico ou anestesista.
Conclusão: A implantação do protocolo de sedação processual na emergência pediátrica mostrou-se segura e efetiva, com elevada taxa de sucesso e baixa incidência de intercorrências. A estratégia permitiu a realização de procedimentos com conforto e segurança, evitando encaminhamentos desnecessários para UTIP, anestesia ou centro cirúrgico.
PRIMEIROS ANOS, PRIMEIRAS FERIDAS: ESTUDO ECOLÓGICO SOBRE AGRESSÕES EM PRÉ-ESCOLARES NO BRASIL (2018-2024). Amanda Satomi Kimura Minami1, Luiza Amorim Bessa Da Cruz2, Isabela Zonta Toledo3, Bianca Arnesi Cotrim4, Juliana Braga Rodrigues de Castro5. 1Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), Marília, São Paulo. 2Centro Universitário CESMAC, CESMAC, Maceió, Alagoas. 3Pontifícia Universidade Católica do Paraná, PUC-PR e Curitiba, Paraná. 4Universidade Cidade de São Paulo - UNICID - São Paulo SP. 5Universidade de Fortaleza - UNIFOR, Cidade: Itapipoca- Ceará
Introdução: A violência contra crianças é um grave problema de saúde pública, com significativas repercussões na primeira infância, fase de maior vulnerabilidade e dependência de cuidadores. No Brasil, as agressões ocorrem predominantemente contra meninos no ambiente familiar e os registros nacionais demonstram a expressiva magnitude desse problema e seu impacto sobre os serviços de saúde. Assim, a análise das internações por agressões permite dimensionar o problema, identificar grupos mais expostos e subsidiar políticas públicas de prevenção.
Objetivos: Descrever quantitativamente as internações por agressões no Brasil.
Metodologia: Estudo ecológico, descritivo, com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram analisadas internações por agressões em pré-escolares de 1 a 4 anos nas regiões do Brasil, no período 2018- 2024. As variáveis incluíram ano do óbito, sexo, faixa etária e cor/raça. A análise foi realizada por estatística descritiva.
Resultados/Discussão: Entre 2018 e 2024, registraram-se 2.886 internações por agressões em crianças de 1 a 4 anos atendidas em caráter de urgência no SUS. O número anual manteve-se relativamente estável, variando de 386 a 427 casos, com maior registro em 2024. O Sudeste concentrou o maior número de internações (793), seguido do Nordeste (716) e Norte (672), enquanto Sul (388) e Centro-Oeste (317) apresentaram menores frequências. Observou-se leve predominância do sexo masculino (52,2%). Quanto à cor/raça, crianças pardas representaram a maioria dos casos (1.597), seguidas por brancas (645) e pretas (91), com menor ocorrência entre amarelas (25) e indígenas (32); 496 registros não continham essa informação. Os dados evidenciam a persistência das internações por agressões na primeira infância no período analisado, com maior concentração em regiões mais populosas e predominância em grupos socialmente vulnerabilizados.
Conclusão: As internações por agressões em crianças de 1 a 4 anos permaneceram constantes entre 2018 e 2024, reiterando a violência infantil como relevante problema de saúde pública. A maior concentração de casos em meninos pardos nas regiões mais populosas evidenciam desigualdades sociais e reforçam a necessidade de fortalecer ações de prevenção, vigilância e proteção à infância.
ESCORPIONISMO: EXPERIÊNCIA EM UM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA DE UM HOSPITAL DE ENSINO NO NOROESTE PAULISTA. Letícia Cincerre de Godoy1, Caroline Barbosa Andrade Lourenço1, Haislaine Tarraf de Andrade1, Luciana Maria Carmona Mendes1, Natália Ribeiro Grossi1, Ana Paula Rodrigues da Silva1, Patrícia Vidotti Baratto1, Paula Krauter Caneo1, Tatiana Pissolati Sakomura1. 1Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São José do Rio Preto, Brasil.
Introdução: Os acidentes escorpiônicos representam importante causa de atendimento em serviços pediátricos, configurando relevante problema de saúde pública no Brasil. A elevada incidência, associada ao potencial de deterioração clínica em crianças, exige diagnóstico precoce, estratificação correta da gravidade e manejo oportuno, incluindo terapias de suporte e uso do soro antiescorpiônico.
Objetivo: Descrever a experiência de um hospital localizado no noroeste paulista no atendimento de casos de escorpionismo em pacientes pediátricos, no período de 2023 a 2025, caracterizando o perfil epidemiológico, manifestações clínicas, gravidade e desfechos.
Metodologia: Estudo epidemiológico, quantitativo e descritivo, realizado por meio da análise retrospectiva de prontuários de crianças de 0 a 14 anos atendidas na emergência pediátrica entre janeiro de 2023 e setembro de 2025, com registros de CID-10 X22.0 e T63.2. Foram analisados dados epidemiológicos, classificação da gravidade, necessidade de soro antiescorpiônico, realização de ecocardiograma e o desfecho clínico desses pacientes.
Resultados: Foram registrados 704 atendimentos por escorpionismo, com maior incidência em 2023. A faixa etária mais acometida foi de 2 a 4 anos, sem diferença significativa entre os sexos. Observou-se maior frequência entre os meses de maio e novembro. A maioria dos casos foi classificada como leve (aproximadamente 80%), enquanto os casos graves corresponderam a 9,5%. O soro antiescorpiônico foi administrado em 124 pacientes, com tempo médio de três horas após a picada.
Sintomas mais frequentes nos casos moderados e graves incluíram vômitos, sudorese, taquipnéia, taquicardia e hipertensão arterial. O ecocardiograma foi realizado em 6% dos casos, sendo 74,4% realizado ainda na Emergência Pediátrica, com alterações iniciais em 42,5% deles, das quais quase metade apresentou normalização. A internação hospitalar ocorreu em 11,7% dos casos, 2,7% necessitaram de UTI e 1,9% fizeram uso de drogas vasoativas. Houve um óbito no período.
Conclusão: O escorpionismo pediátrico apresenta elevada incidência, com predomínio de quadros leves, porém com potencial para evolução grave, especialmente em crianças menores. A estratificação clínica precoce, o manejo oportuno e o uso adequado do soro antiescorpiônico são fundamentais para redução da morbimortalidade, destacando a importância de fluxos assistenciais eficientes em serviços de emergência .
INCIDÊNCIA E MORTALIDADE DE DENGUE GRAVE NA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA DO BRASIL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DO PERÍODO DE 2015 A 2025. Marieh Silveira Camillo1, Maria Eduarda Gomes1. 1Acadêmica de Medicina das Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba, Brasil.
Introdução: A dengue, doença transmitida por mosquitos do gênero Aedes, apresenta formas clínicas distintas, dengue clássica e a forma grave. A Dengue Grave (DG), requer intervenção médica imediata, visto que rapidamente pode evoluir com sangramentos significativos e choque hipovolêmico, Na população pediátrica, é necessário monitorização rigorosa e hidratação venosa adequada, devido à particularidades fisiológicas, como maior permeabilidade capilar, que dificultam o reconhecimento precoce e favorecem extravasamento plasmático e choque.
Objetivos: Avaliar o perfil epidemiológico da Dengue Grave na população pediátrica brasileira, com ênfase na incidência e mortalidade, no período de 2015 a 2025.
Método: Trata-se de um estudo retrospectivo e quantitativo, con dados do DATASUS (TABNET), analisando a incidência e mortalidade da febre hemorrágica por dengue no Brasil (jan/2015–nov/2025), por faixa etária e região.
Resultados: Entre jan/2015 e nov/2025, houve 8.733 internações por febre hemorrágica por dengue na população pediátrica, com 212 óbitos e taxa de mortalidade (TM) de 2,43%. A incidência concentrou-se no Nordeste (32,66%; 2.852) e Sudeste (30,56%; 2.669). Os óbitos predominaram no Sudeste (37,26%; 79), seguido de Nordeste (26,89%; 57) e Centro-Oeste (21,23%; 45); as maiores TM ocorreram no Sudeste (2,96%) e no Norte (2,71%). Por idade, as internações foram mais frequentes em 15–19 (29,71%; 2.595) e 10–14 anos (28,42%; 2.482), con mayor proporção de óbitos também em 15–19 (34,91%; 74). Em <1 ano, apesar de menor incidência (6,26%; 547), houve 14,62% dos óbitos (31) e a maior TM (5,67%). No tempo, as internações aumentaram em 2018 (+107,65%), 2019 (+179%), 2022 (+101,89%) e 2024 (+192,70%), correspondendo a 27,08% do total de internações; os óbitos cresceram em 2019 (+800%), 2022 (+120%) e 2024 (+159%). A maior TM anual ocorreu em 2016 (4,03%); em 2024, embora com pico de internações e óbitos, a TM foi 2,41%.
Conclusão: A DG apresenta impacto relevante na população pediátrica, especialmente em <1 ano, que apesar da menor incidência, apresentaram a maior taxa de mortalidade no período analisado. Tal achado, evidencia maior vulnerabilidade dessa faixa etária possivelmente relacionada a suas particularidades fisiológicas. Desse modo, o reconhecimento precoce, medidas terapêuticas adequadas, monitorização clínica e sobretudo o fortalecimento de ações de prevenção e controle da dengue, visam reducir desfechos graves e óbitos evitáveis nessa população vulnerável.
SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA: UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES E ÓBITOS POR LESÕES AUTOPROVOCADAS NO BRASIL, DE 2019 A 2025, COM BASE EM DADOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES DO SUS (SIH/SUS). Amanda Lazzari Almeida Lozano1, Gustavo Maciel Bonfim1, Ana Letícia Silva Machado1. 1Unifateb Centro Universitário de Telêmaco Borba, Telêmaco Borba, Brasil.
Introdução: Lesões autoprovocadas voluntariamente representam uma crise de saúde pública crescente entre adolescentes e são uma das principais causas de morte nesta faixa etária. O serviço de emergência pediátrica frequentemente constitui o primeiro, e por vezes único, ponto de contato desses jovens com o sistema de saúde após uma tentativa de suicídio. Compreender o perfil epidemiológico nacional desses atendimentos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de prevenção, protocolos de manejo e políticas de saúde mental mais eficazes.
Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico das internações por lesões autoprovocadas voluntariamente em pacientes de 10 a 19 anos no Brasil, no período entre 2019 e 2025.
Método: Estudo transversal, descritivo e retrospectivo, com dados secundários do SIH/SUS. Analisou-se internações e óbitos por lesões autoprovocadas voluntariamente (CID-10: X60–X84) no Brasil, entre janeiro de 2019 e novembro de 2025, segundo local de residência. As variáveis incluíram sexo, faixa etária (10-19 anos), causas, distribuição geográfica e desfecho hospitalar. As taxas de incidência foram estimadas por região e faixa etária, expressas por 100.000 habitantes.
Resultados: Analisaram-se 12.900 internações e 191 óbitos nas faixas etárias de 10-14 e 15-19 anos, com a prevalência da segunda (71,5% das internações, 84,3% dos óbitos). O sexo feminino predominou em internações globais (68%); em óbitos, o masculino predomina dos 15-19 anos (56,1%) e nos mais jovens equivalem-se (50%). Geograficamente, liderando números brutos e taxas de incidência (TI) tem-se o Sudeste (7418 internações, TI=85,14), seguido por Centro- Oeste e, em último, o Nordeste (TI=26,64). A autointoxicação é a causa mais comum de internamento (≈78%), com baixa letalidade (≤1%), contrastando com a alta letalidade de métodos físicos, como o enforcamento (≈9%). Temporalmente, notou-se aumento em internações e óbitos por causas de maior gravidade física, especialmente para 15-19 anos e pós-pandemia.
Conclusão: Conclui-se que adolescentes mais velhos são mais afetados, com prevalência de internações do sexo feminino e maior mortalidade para o masculino, indicando o uso de métodos lesivos de maior gravidade, especialmente físicos, em tendência crescente. A alta TI no centro-oeste destaca-se, bem como a baixa no Nordeste, inferindo-se fatores de proteção ou mesmo subnotificação sistêmica. Nota-se a acentuação de internações e óbitos pós pandemia e evidencia-se a relevância do tema na saúde pública juvenil brasileira.
SEPSE NA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA BRASILEIRA: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INTERNAÇÕES E MORTALIDADE REGIONAL DE 2016 A 2025. Gabriela Bagatini Primaz1, Vitória Eduarda De Azevedo1, Larissa Garcia Cardoso1, Nibia Gabriela Lemes1, Bernardo Trierweiler Xavier1, Rejane Bermudes Costa Beber1. 1Universidade Federal De Santa Maria, Santa Maria, Brasil.
Introdução: A sepse, uma disfunção orgânica advinda de uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, é uma das principais causas de morte em todo o mundo.
É especialmente relevante na população pediátrica, visto que grande parte dos casos ocorre em crianças menores de 5 anos, e pode ocasionar choque séptico, falência múltipla de órgãos e morte. É importante entender sua distribuição nas diferentes áreas do país, o que propicia um melhor olhar médico para o manejo adequado da população e de suas necessidades em saúde.
Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico dos casos de sepse no quesito internações e mortalidade na população pediátrica nas 5 regiões brasileiras nos últimos 10 anos.
Método: Realizou-se um estudo descritivo observacional, transversal e quantitativo, com dados provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), acerca do registro de internações e taxa de mortalidade por septicemia (CID10 A40–A41), cobrindo a faixa etária de 0-19 anos, nas 5 regiões brasileiras entre janeiro de 2016 e novembro de 2025.
Resultados: A região Sudeste concentrou o maior número de internações por septicemia (75.747), seguida pelo Nordeste (50.157), Sul (33.587) e Norte (19.731), enquanto o Centro-Oeste apresentou a menor ocorrência (10.893). Em relação à mortalidade, a maior taxa foi observada na região Norte (14,04), seguida pelo Nordeste (12,95), Centro-Oeste (11,92) e Sudeste (10,99), ao passo que a região Sul apresentou a menor taxa (7,01).
Conclusão: O padrão de distribuição da sepse no Brasil indica que a ocorrência dessa comorbidade não é homogênea, o que dialoga diretamente com fatores assistenciais, estruturais e socioculturais. O Norte, apesar de ter o segundo menor número de internações, constitui a maior carga de mortalidade, o que pode estar relacionado a limitações no cuidado, diagnóstico mais tardio e maior gravidade dos casos. Já o Sudeste, mesmo ao liderar o número de internações, tem uma das menores taxas de mortalidade, o que sugere que regiões com maior capacidade instalada conseguem reduzir a letalidade das patologias e ter um cuidado mais resolutivo, mesmo com altas demandas. Assim, é importante entender as diferentes estruturas e necessidades das diferentes regiões do país, a fim de realizar uma prática clínica mais focada e promover melhorias nas condições dos serviços de saúde.
ENGASGO INFANTIL COMO CAUSA EVITÁVEL DE ÓBITO: ANÁLISE DE DADOS DO DATASUS E O PAPEL NA INSTRUÇÃO DOS PAIS. Bruna Caroline Gomes Barros¹, Júlia Souto Lima Benjamim¹, Mayne Gabriely Souza Barbosa¹, Larissa Vitória Moura da Costa¹, Sophia Ventura Alves¹, Sofia Scalone Falbo di Cavalcanti¹, Leandra Carmen Sousa Leal de Araujo¹, Antonio Oliveira da Silva Filho¹, Sophia Protasio de Lima Oliveira². 1Universidade de Pernambuco – UPE, Recife, Brasil. 2Faculdade Pernambucana de Saúde – FPS, Recife, Brasil
Introdução: O engasgo por corpo estranho é uma causa evitável e tempo-dependente de asfixia na infância, especialmente em menores de cinco anos. Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) evidenciam a relevância desses óbitos no Brasil, apontando falhas na prevenção e na abordagem inicial. Reforçando-se a necessidade de capacitação de cuidadores conforme as diretrizes pediátricas atualizadas.
Objetivo: Analisar os óbitos infantis por engasgo no DATASUS, descrevendo o perfil epidemiológico e a necessidade de instrução dos responsáveis nas manobras recomendadas vigentes.
Método: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, com dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Incluíram-se óbitos infantis por engasgo no Brasil (2020 a 2024), identificados pelos códigos da Classificação Internacional de Doenças – CID-10 W79 (inalação e ingestão de alimentos com obstrução das vias respiratórias) e W80 (inalação e ingestão de outros objetos com obstrução das vias respiratórias). As variáveis analisadas incluíram faixa etária e causa básica do óbito. Os dados foram analisados via estatística descritiva e análise de tendência temporal. A literatura científica foi utilizada apenas como referencial teórico para contextualização e discussão dos resultados.
Resultados: No período analisado, foram identificados 1.132 óbitos infantis por engasgo, com aumento progressivo no período. O período pós-neonatal concentrou 994 óbitos, evidenciando sua relevância na mortalidade infantil. O CID-10 W79 causou a maior parte das mortes (1.084 registros), saltando de 122 em 2020 para 298 em 2024. O CID- 10 W80 totalizou 48 óbitos, também com elevação (6 em 2020 para 15 em 2024). De modo geral, os dados demonstram o predomínio de mortes por inalação de alimentos no pós-neonatal. O desconhecimento dos responsáveis sobre manobras de desobstrução é determinante para esse cenário trágico com desfecho fatal. Diante dessa lacuna, a educação em saúde pela equipe multiprofissional, iniciada desde o pré-natal, é uma estratégia eficaz. O treinamento deve fundamentar-se nos protocolos da literatura pediátrica, que distinguem o manejo de engasgo por líquidos e obstrução por sólidos.
Conclusão: O aumento desses óbitos evidencia a necessidade de fortalecer ações educativas. A capacitação de cuidadores baseada nas recomendações oficiais vigentes é indispensável para prevenir a asfixia acidental e reduzir a mortalidade infantil.
AUDITORIA ESTRUTURADA E FERRAMENTAS DE SUPORTE À DECISÃO: ESTRATÉGIAS PARA ASSERTIVIDADE DIAGNÓSTICA EM EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA. Marcella Freitas Soares1, HelouseChiacchio Leite Reis1, Breno Tharson Dos Santos1, Bruna Neupman Baruque1, Thalita De Melo Souza Rufino1, Suzane Sales2, Danielle Nemer2, Milena De Paulis2. 1Faculdade Israelita De Ciências Da Saúde Albert Einstein, São Paulo, Brasil. 2Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, Brasil.
Introdução: Erros diagnósticos representam causa relevante de eventos adversos em pediatria, especialmente em serviços de emergência, nos quais a elevada complexidade clínica e a tomada de decisões rápidas aumentam o risco de falhas diagnósticas. Nesse contexto, a assertividade diagnóstica torna-se essencial para aprimorar a segurança do paciente e a qualidade assistencial.
Objetivo: Avaliar indicadores relacionados à assertividade diagnóstica e à qualidade da documentação clínica em um pronto atendimento pediátrico, entre janeiro e dezembro de 2025.
Métodos: Estudo observacional, descritivo, com auditoria retrospectiva de prontuários eletrônicos de pacientes pediátricos em observação. Foram avaliados: registro de três hipóteses diagnósticas, uso da ferramenta de inteligência artificial em retornos (Isabel), completude do registro de sinais vitais, adesão à ferramenta estruturada de transferência do cuidado (IPASS) , visitas multiprofissionais, taxa de retorno em até 72 horas e desfechos assistenciais.
Resultados: Foram incluídos 2.818 atendimentos, com predomínio de pacientes menores de 5 anos (53%) e do sexo masculino (54%). As queixas respiratórias corresponderam a 34% dos casos, seguidas pelas gastrointestinais (17%). Observou-se melhora progressiva dos indicadores de assertividade diagnóstica ao longo do período, com aumento do registro de três hipóteses diagnósticas no último trimestre, alcançando cerca de 30% dos prontuários. O registro completo de sinais vitais manteve alta adesão, com pico de 96%. Foram identificados 364 retornos, com taxa média anual de 12%; destes, 86 (23,6%) evoluíram com internação em UTI. O uso da ferramenta Isabel apresentou crescimento progressivo, ainda que discreto, após o primeiro bimestre. Por fim, a adesão ao IPASS permaneceu abaixo de 25% na maior parte do período.
Conclusão: O primeiro ano de implementação da cultura institucional de assertividade diagnóstica demonstrou avanços mensuráveis, especialmente na consolidação do registro de sinais vitais e no aumento da elaboração de hipóteses diagnósticas. Persistem oportunidades de melhoria relacionadas à comunicação clínica estruturada, à análise de concordância entre diagnóstico inicial e final, à revisão de eventos adversos e ao monitoramento de mudanças diagnósticas em retornos. Esses achados reforçam o papel da cultura da assertividade diagnóstica no fortalecimento da segurança do paciente e na redução de erros diagnósticos em emergência pediátrica.
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CRIANÇAS INTERNADAS COM INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA CAUSADA PELO VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO OU PELO RINOVÍRUS EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO DO INTERIOR DE SÃO PAULO. Marina Alves Landi1, Karina do Amaral Deodato1, Stella Balhes Diogo1, Tatiana de Campos Melo1, Guilherme Targino Valente1, Luiz Guilherme Alonso Costa2, Karen Ingrid Tasca3, Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza1, Rejane Maria Tommasini Grotto1, Joelma Gonçalves Martin4. 1Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, Botucatu, Brasil. 2Laboratório de Biologia aplicada do HCFMB- Botucatu - SP, Botucatu, Brasil. 3Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, Botucatu, Brasil. 4Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu -UNESP, Botucatu, Brasil.
Introdução: As infecções respiratórias agudas são causa de alta morbimortalidade em menores de 5 anos, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o Rinovírus Humano (RHV) agentes etiológicos frequentes, com grande impacto nas internações hospitalares.
Objetivos: Avaliar e comparar as diferenças sazonais e demográficas entre os grupos VSR e RHV, a gravidade e o desfecho dos casos.
Metodologia: Estudo retrospectivo, observacional e analítico, aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa. Foram incluídas 170 crianças menores de 5 anos, internadas entre janeiro de 2023 e julho de 2024, com diagnóstico de bronquiolite (BQL), pneumonia (PNM) ou outras causas insuficiência respiratória aguda (IRpA) e resultado positivo exclusivo para VSR ou RHV em PCR multiplex. O tipo de vírus foi a variável independente e as dependentes divididas entre demográficas (sexo, idade, sazonalidade) e desfecho (tempo de internação, necessidade de terapia intensiva, uso de ventilação mecânica e óbitos). Os dados que fugiram da normalidade foram avaliados pela mediana e os demais pelo teste Qui-Quadrado.
Resultados: 52,9% apresentou PCR positivo para VSR e 47,1% para RHV, com predomínio do sexo feminino no grupo VSR (51,1%) e do sexo masculino no grupo RHV (58,8%). Ambos os vírus acometeram principalmente lactentes, com mediana de 5,5 meses nos acometidos pelo RHV e de 6 meses no grupo VSR. Observou-se maior amplitude na faixa etária acometida pelo RHV em relação ao VSR, embora sem diferença estatística. Os casos de VSR concentraram-se no outono (53,3%), enquanto o RHV apresentou distribuição mais homogênea ao longo do ano (p<0.0001). A BQL foi mais prevalente no grupo VSR, enquanto no grupo RHV as outras causas de IRpA constituíram o diagnóstico principal (p<0.0001). O tempo de internação variou entre 1 e 90 dias, com mediana abaixo de 10 dias em ambos os grupos, sendo o RHV responsável pelo maior número de internações prolongadas. 64,4% das crianças com VSR foram encaminhadas a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), enquanto menos de 50% do grupo RHV necessitou de cuidados intensivos (p=0.03). Ventilação mecânica foi necessária em menos de 30% da amostra, com maior acometimento do grupo RHV. O total de óbitos foi de 4 pacientes, com envolvimento semelhante dos dois vírus.
Conclusão: Foi observado o VSR como vírus mais prevalente. Existiram divergências entre os vírus em relação ao sexo e idade, embora sem diferença estatística. O VSR apresentou sazonalidade mais definida, enquanto o RHV apresentou distribuição mais homogênea ao longo do ano. A bronquiolite foi causada prioritariamente pelo VSR e o RHV distribuiu-se entre outras causas de IRpA. Ambos os vírus apresentaram baixo perfil de letalidade nessa amostra, sem significância estatística nos desfechos analisados.
SHORTER EPINEPHRINE DOSING INTERVALS AND ONE-YEAR SURVIVAL AFTER IN-HOSPITAL PEDIATRIC CARDIOPULMONARY RESUSCITATION. Bruno Marcelo Herculano Moura1, Edison Ferreira de Paiva2, Ivan Peres Costa3, Thomaz Bittencourt Couto4, Cláudio Schvartsman1, Tania Miyuki Shimoda Sakano1, Amélia Gorete Reis1. 1Instituto Da Criança e Do Adolescente Do Hospital Das Clínicas Da Faculdade De Medicina Da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. 2Hospital Das Clínicas Da Universidade De São Paulo, São Paulo, Brasil. 3Universidade Evangélica De Goiás, Anápolis, Brasil. 4Instituto Da Criança E Do Adolescente Do Hospital Das Clínicas Da Faculdade De Medicina Da Universidade De São Paulo, São Paulo, Brasil.
Objective: To evaluate the association between the interval doses of epinephrine and one-year survival and one-year neurological prognosis after pediatric in-hospital cardiac arrest (IHCA).
Methods: This observational retrospective cohort study included pediatric patients (0 18 years) who experienced IHCA and received at least two doses of epinephrine from January 2015 to December 2022. Data were collected following the Utstein style. The mean interval between epinephrine doses was categorized as h 3, 3 5, or 5 min. Primary outcome was one-year survival; secondary outcomes were survival to hospital discharge and one-year neurological prognosis, assessed by the Pediatric Cerebral Performance Category.
Results: 194 patients were eligible. In the univariate adjusted analysis, patients who received epinephrine at intervals shorter than 3 min had a 2.3-fold increased chance of one-year survival (OR 2.3; 95 % CI 1.0 5.5; p = 0.042), although this association was not sustained in the multivariable regression. Longer intervals between epinephrine doses (OR: 0.71; 95 % CI 0.52 0.71; p = 0.03), continuous vasoactive drugs infusion prearrest (OR 0.1; 95 % CI 0.1 0.4; p 0.001), longer resuscitation duration (OR 0.8; 95 % CI 0.7 0.9; p = 0.028), epinephrine doses (OR 0.68; 95 % CI 0.56 0.81; p 0.001) were associated with reduced one-year survival. Neurological deterioration was observed in 6 (16.6 %) of the 36 patients after one year (p = 0.001). No association was found between epinephrine dosing intervals (OR 0.72; 95 % CI 0.16 3.14; p = 0.65) and neurological outcomes.
Conclusion: Epinephrine dosing interval was not independently associated with one-year survival after adjusted analyses. These findings underscore the complexity of pediatric resuscitation and support further multicenter prospective studies.
RECIPIENTES COM POUCOS CENTÍMETROS DE ÁGUA CONCENTRAM ALTA LETALIDADE: ESTUDO ECOLÓGICO NACIONAL SOBRE AFOGAMENTO DOMICILIAR EM PRÉ-ESCOLARES NO BRASIL (2015–2024). Amanda Satomi Kimura Minami1, Guilherme Pacheco Della Giustina2, Victória Mineiro de Azevedo3, Carolina Rodrigues Barral4, Maria Júlia D’ Assumpção Mata5, Ana Lys Marques Feitosa6. 1Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), Marília, São Paulo. 2Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), Lages - SC, Brasil. 3Fundación Héctor Barceló - Buenos Aires, Argentina. 4Afya unifipmoc, Montes Claros, Brasil. 5Faculdade Brasileira Multivix, Cachoeiro de Itapemirim (ES), Cidade, Brasil. 6Universidade Federal do Piauí - UFPI, Teresina-PI.
Introdução: O afogamento é a principal causa de morte acidental em crianças de 1 a 4 anos. Embora a produção científica concentre-se em ambientes públicos, no Brasil parcela expressiva dos óbitos nessa faixa etária ocorre no domicílio, requentemente em recipientes com poucos centímetros de água, como baldes, caixas d’água, tanques e banheiras, caracterizando agravo silencioso e subestimado.
Objetivos: O objetivo foi descrever quantitativamente os óbitos por afogamento em pré-escolares no Brasil, comparando domicílios e vias públicas, entre 2015 e 2024.
Metodologia: Trata-se de estudo ecológico com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/ SUS). Analisaram-se óbitos por afogamento e submersão acidental em crianças de 1 a 4 anos, nas cinco regiões brasileiras, segundo ano do óbito, sexo, faixa etária e cor/raça.
Resultados: No período, registraram-se 4.309 óbitos, com tendência de crescimento. As regiões Nordeste (1.189), Sudeste (1.138) e Norte (1.039) concentraram os maiores números. Do total, 1.119 óbitos ocorreram no domicílio, sobretudo no Nordeste (382) e Norte (303), com predominância do sexo masculino (65,5%) e de crianças pardas (57,6%). Nas vias públicas, registraram-se 136 óbitos, principalmente no Nordeste (56) e Norte (47), também com maior frequência em meninos (68,4%) e crianças pardas (71,3%). Embora a literatura associe maior número de mortes a ambientes externos, os dados nacionais demonstram maior ocorrência no domicílio, reforçando o caráter silencioso e subestimado do afogamento doméstico infantil. Falhas na vigilância familiar e a percepção do lar como ambiente totalmente seguro expõem crianças a pequenos volumes de água potencialmente letais. A predominância de óbitos em crianças pardas associa-se a desigualdades socioeconômicas e no acesso à informação, enquanto o maior número de mortes em meninos relaciona-se à maior exposição a riscos e à menor supervisão contínua.
Conclusão: Conclui-se que o afogamento infantil no Brasil apresenta tendência crescente e ocorre predominantemente no ambiente domiciliar, configurando agravo evitável, silencioso e negligenciado. A concentração dos óbitos em meninos, crianças pardas e no Norte e Nordeste evidencia o impacto das desigualdades sociais e das fragilidades na vigilância e educação em saúde, reforçando a urgência de políticas públicas voltadas à segurança domiciliar.
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